A REVOLUÇÃO MAIS CABELUDA DA HISTÓRIA

Quando pensamos em cabelo, vêm à mente mil ideias de cortes, coloração, texturas, estilo pessoal.
A verdade mesmo, é que cabelo, assim como estilo, e maquiagem, estão ligados pela mesma coisa, que conhecemos hoje como "liberdade". Ter um cabelo na moda, moderno, e dentro dos padrões sociais pra muitas mulheres é quase que algo sagrado. Uma obrigação e uma necessidade ao mesmo tempo para serem aceitas pelos seus parceiros, família, grupo religioso e roda de amigos. 
Por muito tempo, por motivos culturais e óbvios, mulheres com cabelos diferentes, curtos e coloridos tinham mais dificuldade de aceitação por parte da sociedade. Era difícil encontrar um emprego,um parceiro bacana de relacionamento, e mais difícil ainda, estar em uma determinação religiosa participando ativamente de atividades importantes. 
Tudo isso, na verdade, uma grande bobagem mundial da sociedade.
O cabelo curto feminino, é mais antigo e comum do que se pensa. A rainha mais importante da história do Egito, Cleópatra exibia fios escuros e um corte simétrico e na altura dos ombros segundo as histórias e foi ícone de beleza. Além das mechas, a maquiagem já era um passo muito importante neste período para ela e os rituais de beleza se faziam presentes com muita rigidez, para manter o corpo e aparência sempre jovens. Tão importante foi Cleópatra que hoje, sua imagem e história estão cravados, desenhadas através das paredes do Egito e são contadas pelo mundo.
A evolução da sociedade foi tamanha, que em cada período da história, uma ditadura de beleza diferente acompanhou os anos.
As pinturas corporais em alguns países do oriente ainda são sinais de importância na feminilidade e fertilidade feminina, revelando assim como as madeixas longas e rostos cobertos a sua cultura enquanto em países do ocidente são revelados diferentes estilos de vida, crença e estilo pessoal misturados a cada esquina. 
Tudo o que vestimos e adotamos atualmente, vêm de alguns séculos atrás, e sua constante evolução. 
No século XIX, da Revolução Francesa à Belle Époque, recebemos influência do estilo Neoclássico, com espartilhos, saiotes, saltos e vestidos glamourosos ao abandono de tudo isso, por vestidos mais simples, e o acontecimento da industrialização dos tecidos e cortes. Embora, muitas ainda preferissem usar vestidos preparados por artesãos como sinal de luxo e personalidade, além do poder aquisitivo financeiro frente à sociedade.
Assim, como a ditadura dos vestidos e saltos, os cabelos também passaram por grandes momentos.
Há mais ou menos 200 anos atrás, os cabelos longos e extremamente penteados, eram acessório indispensável para complemento da beleza feminina, mas, graças as irmãs Sutherland, os cabelos longos viveram uma verdadeira revolução.
Entre 1845 e 1865, nasceram Sarah, Victória, Isabella, Grace, Naomi, Dora e Mary. Além de seu único irmão Charlie.
Uma família muito pobre, que vivia em uma fazenda com criação de perus, e o pai era pastor. A mãe, falecida primeiro, tinha muito orgulho dos fios grossos e longos das filhas, e então, passava uma mistura especial na cabeça de cada uma todos os dias. Essa mistura, embora relatos digam que tinha um terrível odor, obrigando as crianças as vezes à enforcarem aulas para não serem motivo de piada na escola funcionou muito bem, deixando os fios cada vez maiores. O menor dos cabelos, tinha 1,5m de comprimento enquanto o maior passava de 1,8m. 
Com dons musicais muito interessantes, tocavam na igreja do pai, e logo ele percebeu que os fiéis iam a igreja apenas para ver os cabelos e não os dotes instrumentais das filhas. Com isso, viu a oportunidade de mudar de vida, e tratou de criar logo um grupo musical e sair em turnê, chegando a apresentar-se na Broadway e logo depois, assinando um contrato com o Circo Barnum & Bailey em 1884. pessoas do mundo todo vinham para assistir " As Sete Maravilhas do Mundo", nome atribuído a elas entre tantos outros.
A fama mundial chegou, e com isso, as pessoas começaram a preparar seus próprios produtos capilares, revolucionando a indústria mais uma vez, lembrando que o século XIX passou ainda por um período de escassez, onde os fios longos das sete irmãs foi considerado ícone de saúde, vitalidade e exotismo. 
Com isso, logo o pai faleceu, e com a fortuna ganha, transformaram aquela velha fazenda de perus, em uma grande mansão. Logo, surgiram boatos de que a vida das irmãs tornara-se na verdade uma perdição, onde circulavam drogas, casos amorosos e disputas por ciúmes dentro da casa, gastando dinheiro sem nem pensar no futuro, e em 1920 sofreram um duro golpe.
Os cabelos chanel,consagrados pela estilista e diva da beleza Coco Channel é um clássico atemporal e começaram a ganhar espaço no universo da moda, tornando-se a nova sensação da época, transformando os fios longos em ultrapassados e antiquados.
Em 1938, a história relata um grande incêndio, no qual as irmãs sobreviventes (apenas três haviam se casado) perderam tudo e viveram em extrema pobreza até o fim de seus dias.
Desde então, o mundo da moda passa por várias mudanças temporais. A questão é que ao final de tudo, mesmo sofrendo um duro golpe, as irmãs sobreviventes continuaram com seus cabelos compridos, porque era aquilo que as tornavam diferentes e no fundo mesmo é isso que todas nós buscamos quando pensamos em um novo estilo. A liberdade, de ser aquilo que somos, sem nos preocupar com a ditadura da moda. 
Assim como elas, passei por esse período. Dos cabelos longos, aos fios mais curtos, assimétricos e coloridos, encontrando a minha liberdade pessoal e um gosto ainda maior em ser o que sempre fui. 
E você, qual a sua moda? Afinal moda mesmo é sentir-se bem com aquilo que você mais ama na vida! Você mesma! 
As Irmãs Sutherland - fonte: Google
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